“Atomic Blonde” é o novo filme do realizador David Leitch, um dos realizadores por detrás de John Wick (2014), e também o realizador responsável por Deadpool 2 (2018). Conta com as estrelas Charlize Theron, James McAvoy, Sofia Boutella, John Goodman e Toby Jones, entre outros.

É baseado na novela gráfica “The Coldest City” e conta a história da agente especial do MI6 Lorraine Broughton (Theron) e esta disposta a usar qualquer das suas habilidades para sobreviver à missão impossível com que se depara. Enviada para Berlim para extrair um documento secreto de uma cidade em convulsão, é obrigada a associar-se a David Percival (James McAvoy), chefe da secção local, para conseguir sair do mais mortal jogo de espiões em que se vê presa, numa cidade coberta de espiões, nenhum dos quais pode confiar.

Os prós de Atomic Blonde são os óbvios, a realização é cativante e associada à belíssima cinematografia e uso de cores, transporta-nos para não só o local desolado que era Berlim (tanto Oeste como Leste) assim como para o ano de 1989, no qual o muro estava prestes a ser deitado abaixo, causando o tumulto não só nos cidadãos, mas também nos diferentes governos que em Berlim se encontram.

A coreografia e as cenas de acção são de um nível excelente e continuam a demonstrar a força de David Leitch como ex-coordenador de duplos e coreografo, assim como ele mesmo um duplo, a sua técnica de filmagem é fabulosa e junta os seus fortes aos de Charlize Theron, que domina o papel de uma espia capaz de ser um modelo de sensualidade e beleza, mas também de força, tanto física como mental.

Todo o elenco tem uma forte presença e faz tudo o que pode com os seus respectivos papéis, ainda que Boutella, no que talvez seja o seu melhor papel como actriz, tem um mínimo tempo no ecrã.

A voz de Leitch está constantemente presente no filme, o seu estilo é irreverente e bruto, e complementa o género da narrativa com que está a trabalhar, e não se pode falar de Atomic Blonde sem dar destaque a uma maravilhosa sequência sem cortes de 11 minutos no qual Theron demonstra o seu talento como uma actriz em papéis físicos, que deixará qualquer fã de acção a babar-se

Os problemas, e muitos problemas são eles, de Atomic Blonde não surgem precisamente do argumento, mas da forma como ele é estruturado. A história dá tantas voltas desnecessárias e escolhe ir por caminhos mais longos e complicados que acaba por se deteriorar a si mesma. No fim, Atomic Blonde torna-se um daqueles filmes que é altamente ambicioso, mas beneficiaria de uma estrutura narrativa mais linear.

Num enredo que apresenta pouco ou nada de desenvolvimento de personagens, quando chegamos ao fim do segundo acto e certos eventos/relações/identidades nos são reveladas já estamos muito para lá de sequer nos importarmos com isso. Não é uma história complicada de entender quando temos todas as peças do puzzle, mas ficamos a coçar a cabeça ao pensar o “porquê” das escolhas narrativas.

Outro grande problema do argumento é que toma a decisão de começar com um interrogatório a Lorraine, após a missão que é em si, a história principal do filme, e num filme que se enquadra no género de thriller de espiões e acção, no qual devemos estar em constante tensão, cheios de incertezas sobre o que virá a seguir e com receio pela nossa protagonista, isto não resulta em Atomic Blonde pois de facto sabemos que no fim da missão, Lorraine ficará bem.

Ao fim de algum tempo, tentar perceber os porquês e colocar as peças do puzzle no sítio certo torna-se cansativo, o que não é ajudado pela maneira como a música é usada no filme, misturando sons diagéticos com sons não diagéticos, o que se torna uma distração.

As sequências de acção brilham em Atomic Blonde, assim como a voz e o inimitável estilo de Leitch e todo o elenco do filme. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer da sua história incompreensivelmente complicada, a ausência de desenvolvimento, e no geral estranhas escolhas no que toca ao como contar e estruturar a narrativa.

 

Gostaram de “Atomic Blonde”? Já leram a novela gráfica na qual se baseia? Digam-nos a vossa opinião nos comentários e não se esqueçam de ver a Review no formato de vídeo acima.

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